CRÔNICAS POLÍTICAS DE UM LEIGO
Não dá para pensar nas sandálias havaianas sem associá-las a uma esticadinha durante à tardinha para dar uma volta e pegar ar fresco ou, ao acordar e ver aquele dia ensolarado, para quem gosta, zarpar para a praia e curtir um dia de lazer com os amigos. Não dá para negar, as havaianas passaram a fazer parte da vida dos brasileiros como um acessório indispensável, quase que obrigatório, um vício.
As próprias propagandas endossam o que eu escrevo. Lembro-me de algumas delas com um grupo de jovens curtindo uma praia, divertindo-se; outras bem descontraídas com paródias. Enfim, as havaianas sempre passaram para o consumidor confiança, um tom leve de liberdade, uma inspiração para se viver a vida da maneira que ela deve ser vivida. Mas um tsunami inesperado invadiu as areias das praias dos brasileiros e carregou com ele as suas sandálias prediletas. E esse tsunami tem um nome: ativismo político.
Essa nova campanha publicitária da empresa com a atriz Fernanda Torres fez com que desmoronasse completamente essa segurança de liberdade que ao longo dos anos a marca e o produto passaram para o consumidor, induzindo-o a confundir a liberdade dos seus pensamentos enquanto pessoa, cidadão, com atitudes transgressoras e até mesmo, porque não dizer, uma incitação à violência: “meter os pés na porta”, “meter os pés na jaca”.
Desejar aos clientes das havaianas que em 31 de dezembro de 2025, às 23 horas e 59 minutos não se lancem para o ano de 2026 com o "pé direito", provocou um desmoronamento de toda uma postura positiva de fé, esperança, confiança e realização de projetos. As palavras irônicas explodiram no ar, transformaram-se em uma nuvem negra, e caíram sobre a cabeça do povo como uma maldição. Ninguém caminha para os lados, todos caminham para frente, seja com o pé direito ou esquerdo. Pular?! Nem pensar! Deixe isso para os cangurus. Associar o pé direito como uma postura nociva e negativa no que diz respeito a se ter uma convicção partidária mais conservadora, foi um esculacho desmedido direcionado pela atriz aos consumidores das havaianas de uma forma bem tóxica, e para falar a verdade, bem antipática.
Portas não foram feitas para serem arrombadas com os pés. Foram feitas para se dar limites e proteção. Portas se abrem com as mãos, com calma, com sutileza, com educação. Desejar que se meta os pés nas portas, nada mais é do que incitar à rebeldia, à violência. Creio que ela não aceitaria que alguém fizesse uma coisa dessas na sua casa ou invadisse a sua privacidade. Pela lei e pela ordem, ninguém sai por aí metendo os pés pelas portas alheias, tanto no sentido real da coisa, quanto no sentido moral e ético.
Na jaca menos ainda. Um jargão que todos deveriam fugir. Pois sabemos que meter o pé na jaca significa fazer algo desagradável e prejudicial a nós mesmos. E entrar o ano de 2026 com alguém lhe desejando isso, não dá. Pois além da jaca ser uma fruta melequenta e com o odor desagradável, ela também tem muito visgo. O risco de se ficar empacado no mesmo lugar seria enorme. Seria o fim da picada.
Para quem entendeu o rumo das palavras, foram bem certeiras. Tão certo como sugerir ainda para se meter os pés na estrada, desligar-se de tudo, largar a sua própria vida e sair por aí sem rumo. Não ligar para as situações que o Brasil está passando. Fechar os olhos para as corrupções, para os roubos, e que se danem as senhoras e os senhores idosos que ainda estão presos pelo protesto do oito de janeiro. Isso mesmo, saia por aí, suba nos muros, nos postes, nos viadutos, nos trios elétricos e grite: “Sem anistia”.
Mas ela não. Os seus projetos estão bombando. A sua vida está correndo uma maravilha. E com certeza ela entrará o ano de 2026 com o pé esquerdo, mas com a mão direita agarrada ao capitalismo bem selvagem, de mãos dadas com o Itaú, o banco privado brasileiro que mais lucrou em 2025. Lucros altos decorrentes de uma política monetária perversa implementada pelo atual governo, que devido as suas gastanças e ações de corrupção, mantém uma taxa de juro alta, empobrecendo cada vez mais o pobre e enriquecendo ainda mais os bilionários.
*****
CAÇASSÃO, BOLO E MIGALHAS!
Imaginarmos que a câmara dos
deputados ou o senado não são locais que possam fluir muitos acordos pelos
bastidores, seria muita ingenuidade da nossa parte. Por mais que achemos imoral,
é política. Não há como se chegar a uma votação sem que se tenha havido um
debate, conversas e acordos no escurinho dos corredores da "casa do
povo". O imoral acaba sendo diluído e indo parar no esgoto. No caso do deputado
Glauber Braga, a sua explosão diante da provocação de um ativista político do
MBL foi erradíssima e até mesmo criminosa, quando pelas suas próprias mãos o
expulsou das dependências da Câmara e o agrediu fisicamente. Colando em xeque a
legitimidade de tal agressão, abrindo uma brecha para que se faça distinção entre
a provocação de um ativista político e o mero protesto de um cidadão comum, que
também ficará exposto e sujeito aos impulsos descabidos e incontroláveis de
qualquer parlamentar.
Espera-se que tal realidade
não se materialize depois da explosão de felicidade no final da votação em que
a maioria decidiu pela suspensão de seis meses e não pela perda do mandato do
deputado Glauber Braga. Felicidade essa que se culminou em uma festa espontânea
semelhante às euforias do réveillon e do carnaval, deixando também impregnado no
ar, um efeito imaginário e enrustido de uma queima de fogos de artifícios,
confetes e serpentinas. A justiça estava sendo feita, endossada até pelos pares
de centro e da direita, cujos discursos enfatizavam que o colega não era um
corrupto, que era injusta a sua cassação e, ainda, que uma simples agressão não
poderia rasgar os seus votos e jogá-los na lata do lixo. Mas caberia, sim, uma
suspensão. Um castigo à pão e água sem receber os seus vencimentos e benefícios
de parlamentar.
Acordos ou não, o vento
também soprou a favor da deputada Carla Zambelli. Uma votação sem muita
empolgação e sem o ataque ferrenho dos partidos de centro e esquerda, que sempre
vêm à público, e de um modo ferrenho através de atos diplomáticos, jurídicos e
ativistas pelas redes sociais, exigir a sua extradição e a perda do seu
mandato. Embora os casos sejam diferenciados, não se pode negar a persistência
quase que cruel de tentar aniquilá-la politicamente e também como pessoa,
mulher e mãe. Porém, o aroma acre da hipocrisia tomou todo o espaço do plenário
após os discursos hipócritas de alguns opositores, disfarçados com palavras comoventes,
direcionados ao filho da senhora deputada que também estava presente no
parlamento. Uma lamentação esdrúxula quase asfixiante que instantaneamente causou
indignação àqueles que estavam em volta do rapaz manifestando um apoio de
solidariedade.
É inegável a diferença dos
ânimos entre a duas votações. A do deputado Glauber Braga como uma luta
aguerrida dos seus soldados entoando gritos de guerra e com as suas espadas em
punho. Guerreiros que lutaram até o final com unhas e dentes, agarrados às
mesas e microfones, arrastando com eles tudo e todos que se puseram a frente.
Um grito de vitória que destoou totalmente do cenário mórbido, frio e quase
fúnebre no desenrolar do segundo julgamento, marcado por um plenário cansado, esvaziado
e porque não dizer, fúnebre.
E para quem assistiu aos
trabalhos via internet, saltou aos olhos a reação do próprio presidente da
Câmara e de alguns parlamentares quando se encerrou a votação e o resultado
explodiu no painel. Carla Zambelli permaneceu com o seu mandato de deputada
federal. A euforia do seu filho junto com alguns parlamentares de direita foi
grande, mas quase que insignificante diante da explosão de ânimos que ocorreu
com a “absolvição” do deputado Glauber Braga. Como se o bolo da festa tivesse sido
devorado em poucos segundos e a bandeja, com algumas migalhas, desprezada propositalmente
sobre qualquer mesa do salão do juízo final.
*****
VOTO SE GANHA GASTANDO A SOLA DO SAPATO!
Trocar farpas nas redes sociais ou até mesmo produzir um
vídeo com palavras cortadas sobre um discurso de algum político em cima de um
palanque para tentar induzir um ou outro a mudar de opinião, é como se olhar no
espelho e conversar consigo sobre coisas que você mesmo está cansado de saber. A
massa na rede social já sabe. Mas, a massa fora da internet, uma parcela do
povo mais simples que não usa rede social e sequer sabe mexer em celular ou computador,
não. Porém, não como se deveria saber.
A mídia tradicional ainda bate na porta dos mais simples que
estão habituados a receberem notícias picotadas e distorcidas. A prisão de
Bolsonaro é um fato concreto em que muitos criticam ou defendem, mas não
conhecem o seu inteiro teor. Não conhecem e não estão interessados nos
questionamentos sobre legalidades ou ilegalidades. Estão totalmente alheios ou,
para falar a verdade, totalmente desinteressados. Talvez até estejam decepcionados
ou conformados por não poder interferir. Sabem reconhecer pelos trancos da vida
aqueles que têm o poder para mandar e os que, sem opção, devem obedecer. É a
lei da vida!
O paredão de proteção entre a massa mais simples e a oposição
é alto e forte, revestido de puro assistencialismo. Os políticos de oposição terão
muito trabalho para convencer aqueles que recebem os auxílios Bolsa Família, Vale-Gás
e energia elétrica gratuita, de que o governo gasta demais e que é corrupto. E
mesmo que eles entendam que isso seja uma verdade, não vão querer perder os benefícios
votando em outro candidato que os deixará na penúria, sem o seu dinheirinho.
Tarefa muito árdua essa. Tão árdua que os bombardeios da oposição
começaram a ficar mais pesados para romper a blindagem sobre os escândalos de
corrupção do governo e seus aliados. Começou-se, então, uma operação de guerra
para romper a cortina de fumaça, e bem negra, com o objetivo de apelar para o
bom senso do cidadão comum, para o seu brio e honestidade. Sacudi-lo para que
ele enxergue e entenda que está no meio de uma barganha injusta, que está
trocando milhões de reais por um barraco, uma cesta básica e uma escola de má
qualidade que forma o seu filho sem saber falar o português correto e nem
executar as operações mais simples da matemática.
Sabemos que a tecnologia ajuda muito. Gravar vários vídeos
por dia, visitar supermercados e mostrar os preços, mostrar áudios antigos de
outros políticos no plenário, mudanças de lados; ih, isso não fará muita diferença.
Fica até maçante, inconveniente. Ainda mais quando se apela para que o usuário
de internet, os mais esclarecidos e que tem rede social, banque o cabo
eleitoral compartilhando as baboseiras de político imaturo. Muitos sabem o que
já se fez, o que já se passou, e que na política tudo e todos são assim mesmo e
que não mudará nada. A batalha agora é no chão, corpo a corpo, cara a cara,
olho no olho. O político ganha força e voto gastando a sola do sapato.
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AS ELEIÇÕES DE 2026 E A RODA DO DESTINO
O povo é o seu próprio salvador da pátria. O povo se torna escravo nas mãos de um ditador pela sua própria mão quando abandona a sua dignidade, os seus princípios, os seus valores e vende a sua alma para o oportunismo criminoso. Digo criminoso, porque aproveitar oportunidades para se alcançar prosperidade e avançar para se conquistar um padrão de vida mais elevado de uma forma saudável é até plausível.
O oportunismo criminoso destoa da boa-fé. Funciona como o jogo de azar, que depois da primeira, segunda e terceira jogadas, o apostador se torna mero desgraçado. Transforma-se em um zumbi preso dentro de uma caixa moldada para prendê-lo e vampirizá-lo até o fragmento invisível dos seus restos mortais.
Estamos todos presos dentro de um sistema. Querendo ou não, somos impulsionados ou esmagados pela roda do destino. Não falo sobre predestinação, mas acerca de um conjunto de medidas, fatos, poder e tomadas de decisões humanas que poderão influenciar e sentenciar, involuntariamente, qualquer cidadão à falência total. Mas a roda não funciona sozinha, somos os seus condutores. Temos que usar as ferramentas adequadas e adquirir o conhecimento técnico para operá-la. E não há ninguém melhor do que os próprios operários para fazer com que essa roda funcione com estabilidade. Às vezes um pequeno ajuste é suficiente para impedi-la de quebrar de vez. Especialize-se. Adquira conhecimento. Informe-se. Não seja apenas conduzido, seja também um condutor dessa roda.
*****
A SOBERANIA DIVIDIDA DE UM PAÍS CHAMADO BRASIL
Para quem não esteve e nem participou da
festividade e comemoração do dia da independência do Brasil neste sete de
setembro de 2024, assistir aos vídeos com tanta gente de verde e amarelo carregando
a nossa bandeira nas mãos, foi arrebatador. Não. Foi mais que arrebatador ver
jovens, senhoras e senhores, pais de família, mães com os seus filhos, gritarem,
comemorarem e vibrarem por mais um ano de independência da sua nação, liberta
das mãos do seu colonizador em 1822, ano em que o Brasil se libertou de
Portugal com o famoso “Grito do Ipiranga”.
É nítido que os tempos no nosso país mudaram, mas
ao me deparar com tanta alegria e vida, voltei aos bons tempos em que pendurar
uma bandeira do Brasil na frente da nossa casa, vestir uma camisa da seleção
brasileira, decorar a rua toda com as nossas cores e vibrar pelo nosso país na
copa do mundo, em um mundial de fórmula 1, nos jogos pan-americanos, ou em
qualquer outro evento que pudesse promover uma elevação nacional, era realmente
ser brasileiro e não um fascista.
“O poder emana do povo”. Essa frase traduz e
representa um princípio fundamental da soberania popular. Algumas nações, que
no passado viveram para essa destruição, entenderam isso. A guerra joga as nações
na desgraça total. Aniquila os povos com a submissão, a fome de alimentos e de
conhecimentos, e também com a falta de prosperidade. Cai em ruína total. Um
remédio foi encontrado: a diplomacia e os tratados. Sabemos, sim, que há um
remédio. Mas temos consciência de que não existe nenhuma vacina ou antídoto
para se conter o algoz responsável pelo início de tal destruição.
Não se reclama e nem se exerce a soberania de um
país dividido. A força só se faz com a unidade, que está amplamente
estabelecida na nossa lei maior, a nossa Constituição Brasileira, estruturada e
promulgada pelas mãos de homens experientes e valorosos, detentores de uma sabedoria
profissional atrelada a uma experiência de vida. Se acertaram ou não, ficará
uma incógnita, que, talvez, seja até inalcançável pelas nossas mentes tão
limitadas. Mas uma coisa é certa e inegável, eles deixaram bem claro entre as linhas:
o brasileiro é um povo livre!
Para quem não esteve e nem participou da
festividade e comemoração do dia da independência do Brasil neste sete de
setembro de 2024, assistir aos vídeos com tanta gente de verde e amarelo carregando
a nossa bandeira nas mãos, foi arrebatador. Não. Foi mais que arrebatador ver
jovens, senhoras e senhores, pais de família, mães com os seus filhos, gritarem,
comemorarem e vibrarem por mais um ano de independência da sua nação, liberta
das mãos do seu colonizador em 1822, ano em que o Brasil se libertou de
Portugal com o famoso “Grito do Ipiranga”.
É nítido que os tempos no nosso país mudaram, mas
ao me deparar com tanta alegria e vida, voltei aos bons tempos em que pendurar
uma bandeira do Brasil na frente da nossa casa, vestir uma camisa da seleção
brasileira, decorar a rua toda com as nossas cores e vibrar pelo nosso país na
copa do mundo, em um mundial de fórmula 1, nos jogos pan-americanos, ou em
qualquer outro evento que pudesse promover uma elevação nacional, era realmente
ser brasileiro e não um fascista.
“O poder emana do povo”. Essa frase traduz e
representa um princípio fundamental da soberania popular. Algumas nações, que
no passado viveram para essa destruição, entenderam isso. A guerra joga as nações
na desgraça total. Aniquila os povos com a submissão, a fome de alimentos e de
conhecimentos, e também com a falta de prosperidade. Cai em ruína total. Um
remédio foi encontrado: a diplomacia e os tratados. Sabemos, sim, que há um
remédio. Mas temos consciência de que não existe nenhuma vacina ou antídoto
para se conter o algoz responsável pelo início de tal destruição.
Não se reclama e nem se exerce a soberania de um
país dividido. A força só se faz com a unidade, que está amplamente
estabelecida na nossa lei maior, a nossa Constituição Brasileira, estruturada e
promulgada pelas mãos de homens experientes e valorosos, detentores de uma sabedoria
profissional atrelada a uma experiência de vida. Se acertaram ou não, ficará
uma incógnita, que, talvez, seja até inalcançável pelas nossas mentes tão
limitadas. Mas uma coisa é certa e inegável, eles deixaram bem claro entre as linhas:
o brasileiro é um povo livre!
Ricardo Ohara (08/09/25)
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NO BRASIL O ATIVISMO POLÍTICO-PARTIDÁRIO FECHOU AS PORTAS PARA O CIVISMO.
Quando o ativismo político-partidário deixa de ser tão necessário no momento em que se ocupa uma cadeira na câmara dos vereadores, nos parlamentos estaduais, federais, e, principalmente, na presidência da república? O que diferencia as ações ativistas partidárias das ações de uma política ordenada e de cunho social? Creio que embora haja uma mistura e tanta confusão, o primeiro ponto básico é tão claro. Integrar um partido político e defender certa ideologia em prol da sociedade, com a criação de projetos e críticas ao sistema, exprime certa liberdade; e não falo sobre liberdade de expressão, falo de uma liberdade dentro de um contexto personalizado e institucional.
Já o cidadão eleito assume o seu mandato sob juramento,
comprometendo-se à observância e à obediência de um calhamaço de regras e leis.
Ele, agora, está dentro do sistema. Um sistema que era totalmente criticado e
repelido por ele. E não importa a sigla que represente, querendo ou não, ele é
o sistema. Ao se tornar um representante do povo, ele fala pelo povo e para o
povo. Não fala mais pelo partido ou para o partido. A sua prestação de contas é
para o sistema e também para o povo. O ativismo sai de cena e entra o civismo,
que não traduz “patriota” sugerindo que A ou B sejam bolsonaristas. Civismo é
bem maior do que isso e traduz o bem-estar de todos, dedicação dos agentes
públicos na implementação de políticas públicas sérias e, também, dentre outras
atribuições que não foram destacadas, amar e zelar pelo seu país.
Parece surreal diante do caos mundial que estamos vivendo,
mas o civismo abriga princípios básicos inegáveis, bússolas naturais que
precisam ser acionadas desde os primórdios da formação física e intelectual da humanidade.
Se não for assim, só nos resta assistir políticos se comportando como
adolescentes, totalmente imaturos, fazendo do seu cargo eletivo, um palco para
exibição pop star diante de uma
câmera de celular. Esquecendo-se que sobre ele muitas câmeras serão
direcionadas, podendo ou não, flagrar um comportamento atípico e até mesmo
criminoso. Como o caso da deputada federal Camila Jara, que agrediu o colega de parlamento Nikolas Ferreira com um
soco nas partes baixas e que vem negando o seu ato em toda a mídia. No
Congresso tem câmeras e as sessões são divulgadas. Foi tudo filmado. E cai por
terra também ao tentar falar que foi em sua defesa ou sem querer. O ódio visível
em toda a sua expressão corporal ao direcionar o golpe criminoso é estarrecedor.
Essa rixa saiu das sedes dos partidos políticos e ocupou as cadeiras dos parlamentos e as redes sociais, contaminando até aqueles que com o bom senso trabalhavam
para legitimar o exercício do seu mandato, que pelo andar da carruagem, poderá correr um risco enorme de ser interrompido pelo excesso do ativismo político-partidário praticado pelo próprio parlamentar.
Para os que ainda tinham dúvidas
de que a tempestade tarifária de Donald Trump não chegaria ao Brasil, caíram do
cavalo, ou melhor, do pedestal. Com as suas investidas acirradas contra o resto
do mundo, deixando o Brasil em águas mornas, criou-se internamente muitas expectativas
zombeteiras com relação às exigências diplomáticas de reciprocidades tarifárias
a serem exigidas pelo chefe de estado daquela potência mundial. Mas os maus
ventos trouxeram uma nuvem bem carregada para o Brasil, que por ter sido
deixado de lado enquanto a economia global pegava fogo, abusou do verbo e
rasgou a cartilha que norteia um comportamento sóbrio dentro dos princípios
diplomáticos e interesses bilaterais satisfatórios para qualquer economia da
esfera global.
Após a imposição de uma cesta
tarifária mais alta em conjunto com a valorização da moeda norte-americana, não
haverá guarda-chuva que poderá conter o estrago do dilúvio que sobrevirá sobre
a economia do Brasil, que tem como carro chefe as commodities. E continuar pagando para ver com apostas dobradas, retaliando as medidas norte-americanas antes mesmo de se discutir diplomaticamente os
interesses de cada país, como se comportaram alguns países desenvolvidos, e que
seja tomado como exemplo, empurraria de vez o nosso país para o precipício.
O pêndulo que está amarrado no final da corda em volta do pescoço do brasileiro já está muito pesado. Pois o que ficou ruim com a taxação imposta pelos EUA, poderá ficar bem pior se o Brasil revidar na mesma proporção. A China fez isso, não suportou e correu logo para se sentar à mesa junto com Donald Trump para negociar. E não só a economia internacional entraria em declínio, mas a economia doméstica brasileira seria muitíssima afetada com a elevação do custo dos insumos, máquinas e equipamentos, medicamentos, tecnologia de ponta, partes de aeronaves, peças para veículos, equipamentos de telecomunicação e vários outros... um time bem robusto para ser enfrentado em um cabo de guerra.
Ricardo Ohara (09/07/25)
República das Bananas ou da Farofa de Banana?
O Brasil sempre é citado no âmbito nacional e internacional como “república das bananas”. Tal jargão sempre é lançado para além do megafone como forma de deboche, protestos e revoltas decorrentes de ações políticas, econômicas, governamentais, etc. Ações que provocam um retrocesso ao progresso do país pela falta de decoro parlamentar e desvio de verbas públicas; baixo nível de investimento na educação, saúde e segurança pública; ausência do direito de se obter benefícios que garantam o bem-estar e preserve a dignidade do cidadão.
E diante desse vendaval que atualmente vivemos, podemos dizer que da banana nada sobrou. Fizeram uma farofa. Isso mesmo, o Brasil virou uma “república de farofa de banana”. Há anos o país vem caminhando para um jogo político muito perigoso. O jogo do poder. E no meio dessa batalha o povo tem perdido a sua individualidade, o seu eu de cidadão, o pleno direito de filho desta terra. Muitos estão sendo tratados como bastardos. Não há um campeão legítimo para o defender. O vencedor, depois que é coroado, senta-se no trono e se torna o poderoso cercado pelos seus nobres escolhidos a dedo. O rei não escuta mais os seus súditos, não enxerga as suas necessidades e se tranca em seu castelo usufruindo das riquezas extorquidas daqueles que o aclamaram.
Onde o sol brilhava com mais fulgor,
O azul do céu era mais azul,
E o povo, feliz, corria sorrindo às feiras
Para comprar a sua penca de bananas.
Ricardo Ohara (12/01/2025)
OS DESVARIOS DE DONALD TRUMP
Os EUA se tornaram uma potência mundial e o resto do mundo abriu as suas fronteiras para o "todo poderoso" atualmente comandado pelo seu chefe de estado Donald Trump. Foi um erro? Acredito que não. Mas teve as suas consequências. Pois ao invés de se proteger e trabalhar internamente de uma maneira harmônica para construir e enriquecer a sua própria economia, o resto do mundo, destacando-se o Canadá e o Brasil, ficou dependente e oportunista. E qualquer decisão interna da grande potência acaba sempre interferindo bruscamente na esfera global. Isso mesmo, a globalização teve a sua vantagem, mas também causou uma cegueira dilaceradora. Importar em troca de um custo economicamente menor minou o poder autossustentável dos países dependentes. E hoje se vê uma cobrança mundial quanto a essa reparação sendo imputada ao presidente Donald Trump. Como se o "usurpador" tivesse a obrigação de indenizar os danos causados. Talvez sim. Mas em um relacionamento de interesse, os envolvidos têm a sua parcela de culpa. Chorar, gritar e espernear faz parte de uma apelação quase que cenográfica para tentar amenizar os prejuízos decorrentes de uma mediocridade e hipocrisia quase que universal, desviada do ventilador para ser jogada somente nas costas do grande vilão, Donald Trump.


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