ARTIGOS PARA LÁ DE BAGDÁ COM RICARDO OHARA
A frase atribuída ao antigo filósofo grego Sócrates
“Só sei que nada sei”, não implica na falta de comprometimento do cidadão sobre
qualquer fato ou ocorrência que o insira em uma situação complicada. Mas no
simples fato de nos resguardarmos com humildade quando nos colocamos ou somos
colocados na posição de um “maioral”, o sabichão alienado que vive dentro da
sua bolha de conhecimento e ignora o que está acontecendo a sua volta.
O conhecimento é um mar cujos afluentes são muitos
rios, formados por pequenas fontes naturais, os olhos d’água. E como o nome já
diz tudo, essas pequenas nascentes acabam sendo responsáveis pela fluidez dessas
veias de informações que inundam e dão forma a esse vasto volume de teorias,
dissertações e informações verídicas ou conspiratórias. O cuidado está no que
esses espelhos d’água reproduzem: fatos reais ou mera ilusão; água pura
emergente de um cenário rústico ou água com o sabor acre emergente de um
cenário amazônico falsamente exótico.
Atualmente no Brasil e em outros países busca-se
regulamentar com mais dureza a internet,
principalmente as redes sociais, com foco direto sobre a desinformação. Mas não
vivemos ao longo do tempo sendo desinformados por programas de TV como
Chacrinha e Silvio Santos? Xuxa? Mara Maravilha? Ana Maria Braga? Domingão do Faustão,
agora o do Huck? E outros mais? O que programas como estes agregam de fato ao intelecto de uma pessoa? Nada! São apenas momentos de entretenimentos
disfarçados de cultura. Podemos até insinuar que é um mal necessário. Da mesma
forma não podemos negar que pela internet
existe uma forma disfarçada
de deliberar sobre o livre exercício da expressão, onde muitos abusos e até
atos criminosos são cometidos por todos os lados. São ofensas que agridem
moralmente outro usuário da mesma plataforma, montagens de fotos e situações
inverídicas (fake news), incitação a atos violentos, etc. Crimes são crimes e
deverão ser punidos no rigor da lei como estabelece a nossa Constituição, que
também é bem clara na garantia da liberdade de expressão do brasileiro.
O
fato é que para quem passou a vida acreditando que uma estrela despenca do céu,
já caiu do cavalo antes mesmo de montá-lo. A estrela cadente só existe nas músicas,
nas poesias, na cabeça das meninas dos tempos de outrora que ao começar o seu
pedido, a estrela, ou melhor, a faísca brilhante já tinha se apagado. A
realidade é outra. O que vemos riscando o céu não é nenhuma estrela cadente. São
faíscas brilhantes produzidas durante o atrito de um fragmento espacial com o
ar quando entra na atmosfera da terra. Estrelas são gigantescas
bolas de gás em chamas, como o nosso sol. Elas nunca caem do céu. Coisas
tão simples e óbvias que conseguem derrubar até aquele que se julga o mais
sábio dos sábios. Mas o verdadeiro sábio peregrina atrás de uma fonte de água
pura e não anda de vendas sobre os olhos.
A Deputada Federal Erika Hilton assumiu mesmo a
presidência da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara Federal. E a mulherada,
mais uma vez, desde a parlamentar ter sido destaque como a mulher do ano de
2025 pela revista Marie Claire, entrou em polvorosa por causa dessa eleição
interna no parlamento, algo inédito na história da política brasileira: uma
deputada trans presidindo a comissão dos direitos da mulher. Agora, imaginem a
cara desse batalhão feminino, no próximo oito de março de 2027, quando em toda a mídia estampar em letras garrafais: “Dia Internacional das Pessoas que Gestam”.
O conflito já por si só deixa bem claro a
derrubada da finalidade e objetivos dessa Comissão, criada para
se debater e criar dispositivos, leis, especificamente para proteger a
integridade e garantir os direitos legítimos daquela que biologicamente nasceu
mulher, sexo feminino, que tem útero, ovário, trompas de falópio, ovula e menstrua.
Somos pessoas, seres humanos, homens e mulheres.
E a mulher, pela sua própria natureza, é realmente uma pessoa que gesta. A
única pessoa com a capacidade biológica de realizar a proeza de gerar um novo
ser, suportar as dores do parto, virar-se pelo avesso para colocar um novo ser no
mundo, tomá-lo em seus braços, amamentá-lo no peito com o leite produzido pelo
seu próprio corpo (hormônios femininos), fazer a papinha, a merenda da escola,
as refeições por anos, de ter o direito de sentir ciúmes dos genros e das noras
e, ainda, correr o risco de passar o vexame, mas sem se importar, de continuar
chamando o quarentão ou a quarentona de “meu bebê”.
Mas qual foi o maior pecado da Deputada Federal Erika
Hilton nessa história toda? A mulher não é de fato uma pessoa que gesta? Sim.
Todos nós somos pessoas. Eu sou uma pessoa, sou homem, mas não tenho a
capacidade de carregar, gestar outro ser humano dentro de mim. Mas a pessoa
mulher, sim. A mulher que nasceu menina, entrou na puberdade, atingiu a sua
maturidade, engravidou, tornou-se mãe e avó. Ciclos de transformação que foram
totalmente anulados pela senhora deputada ao tentar apagar a “pessoa mulher”,
despindo-a totalmente dos seus direitos conquistados ao longo do tempo em que
vivia sob a opressão do machismo.
Pelo andar da carruagem, não se verá um debate
nessa comissão, que já se transformou em um ringue, mulheres biológicas versus
mulheres trans. Infelizmente, a senhora deputada tropeçou nas próprias pernas.
Não abraçou a mulher e nem a sua importância histórica no cenário nacional e
internacional. Não somou. Criou um batalhão de inimigas. E quando uma mulher
entra em uma briga para defender o seu direito de ser mulher e mãe, vira uma
leoa.
É ultrajante e criminoso, o próprio Grok causar esses transtornos aos usuários da plataforma X. Porém, para não sermos hipócritas, sabemos que a ferramenta de IA não efetua tais infrações sozinha, as instruções são dadas por humanos, outros usuários, pessoas detentoras de mentes desequilibradas e satíricas, caindo mais para o lado da psicopatia. Os casos mais alarmantes são os das manipulações de fotos de mulheres e adolescentes dentro de um cenário normal, que foram editadas para uma situação sugestiva de pornografia e cunho sexual, onde algumas vítimas do sexo feminino se depararam sem algumas peças de roupas, somente de biquíni. O que gerou tamanho espanto, pois na foto original elas estavam completamente vestidas.
Porém um fato curioso com relação ao Grok me chamou a atenção. Parece loucura interagir com um assistente de IA, mas algo me instigou. Já pesquisei sobre a evolução do meu trabalho consultando o Capilot, assistente de IA do Google, que me retornou com coerência, prestando-me informações que já estavam inseridas em sites da internet, pois é assim, IA capta e organiza a memória já existente. E essas informações fluíram de uma forma descritiva e, também, por ser uma máquina, bem construtiva dentro do contexto formatado nas sinopses e biografia do autor. Pode-se até dizer que a ferramenta foi bem “elegante”.
Para esclarecer, sou um escritor independente, simples, trabalhando para me inserir no mercado. E os divulgo na internet. Como também o fazia no X, hospedagem da IA Grok, criação do Senhor Elon Musk, que me trouxe detalhes informativos bem diferente e bastante curioso. Ao contrário do Capilot, o seu colega foi bem “deselegante”. Isso porque a ferramenta também coletou dados sobre as minhas interações nas publicações da plataforma, onde você acaba se expondo com opiniões e críticas pessoais além da exposição dos trabalhos, no caso, os meus livros. E utilizando um modo grosseiro, pode-se dizer que se jogou tudo dentro de um saco escuro, sacudiu, e se traçou o perfil.
No entanto, o Grok não errou muito, mas usou um tom depreciativo. Fazendo uma alusão e até uma certa exclusão da minha pessoa e do meu trabalho do meio literário por eu ser um escritor independente, um desconhecido com poucos seguidores; referindo-se aos títulos das obras enumeradas como repetitivas, folhetim de banca de jornal e novela. Que não fazia parte da alta literatura. E ainda usou o termo “para quem gosta”. Que eu era um autor de palavras cruas, e o sou. E que também não tinha filtro, referindo-se aos meus comentários, isso nem tanto. Acrescentou ainda que por fazer críticas no mesmo tom tanto para as postagens de cunho político da esquerda quanto para as postagens da direita, “eu não incomodava ninguém”, ou melhor, para um bom entendimento podemos traduzir: “um fede e nem cheira”.
O impressionante foi quando me revelei e escrevi que quem estava pedindo as informações era o escritor Ricardo Ohara. Foi surreal. Imaginei-me de cara com uma pessoa quando é flagrada falando mal de você. Pela resposta, visualizei o Grok ficando com a cara vermelha de vergonha. A sua resposta foi um vexame, pois se ele antes detalhou um perfil, considerando uma máquina, deveria permanecer na sua posição. Mas não, desculpou-se e se mostrou prazeroso em estar interagindo comigo. Que ele não quis dizer o que disse, apenas pegou as informações na plataforma do X. E quando eu também me referi as suas respostas como repetitivas, o IA do Senhor Elon Musk acabou falando que a repetição fazia parte de toda a literatura, que era natural; e que se referiu aos romances como novela e folhetim de banca de jornal por não ser nada de cunho científico, um estudo, uma teoria, uma coisa mais clássica formadora de opinião. E mais, que eu continuasse assim, escrevendo os meus romances da maneira intuitiva como revelava, ouvindo sempre os meus personagens.
Foi gritante. Impressionante. Algo bem além do que imaginamos. Deixando os questionamentos mais questionáveis. Seria o Grok a imagem e semelhança do seu criador? Pois não consigo deixar de associá-lo a imagem do bilionário Elon Musk, um indivíduo que ao mesmo tempo que usa a sua riqueza para tentar transformar o mundo, compartilhando inovações e tecnologia, pelo outro lado acaba disponibilizando as suas próprias ferramentas tecnológicas para proporcionar depreciações e ataques ao que ele julga não ser tão imprescindível e agregador ao seu arcabouço literário e nem ao seu estilo de vida. Transformando o seu bichinho de estimação, o imaturo Grok, em um bobo da corte, que extrai informações picotadas do seu reino virtual “X” e as manipula com o seu estilo irônico e debochado personalizado. Depois, bombardeia o seu alvo com indiretas desconstrutivas, só que sem nenhum viés cômico, algo semelhante as piadas ultrapassadas em que só o rei e os seus súditos acham graça.




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