ARTIGOS PARA LÁ DE BAGDÁ COM RICARDO OHARA




O Grok tem o DNA do Elon Musk?!
 
Assistente com inteligência artificial do X vem causando um reboliço em toda a internet. Usuários dessa plataforma vem denunciando a alteração das fotos dos seus perfis sem a autorização dos titulares da conta. Uma invasão total de privacidade com o auxílio da IA Grok, criada pelo dono do X, Elon Musk, que ao invés de elaborar mecanismos de proteção para o serviço de mídia social que oferece, disponibiliza a ferramenta sem qualquer segurança, facilitando a sua utilização por malfeitores para atacar os próprios usuários da rede.
É ultrajante e criminoso, o próprio Grok causar esses transtornos aos usuários da plataforma X. Porém, para não sermos hipócritas, sabemos que a ferramenta de IA não efetua tais infrações sozinha, as instruções são dadas por humanos, outros usuários, pessoas detentoras de mentes desequilibradas e satíricas, caindo mais para o lado da psicopatia. Os casos mais alarmantes são os das manipulações de fotos de mulheres e adolescentes dentro de um cenário normal, que foram editadas para uma situação sugestiva de pornografia e cunho sexual, onde algumas vítimas do sexo feminino se depararam sem algumas peças de roupas, somente de biquíni. O que gerou tamanho espanto, pois na foto original elas estavam completamente vestidas.
Porém um fato curioso com relação ao Grok me chamou a atenção. Parece loucura interagir com um assistente de IA, mas algo me instigou. Já pesquisei sobre a evolução do meu trabalho consultando o Capilot, assistente de IA do Google, que me retornou com coerência, prestando-me informações que já estavam inseridas em sites da internet, pois é assim, IA capta e organiza a memória já existente. E essas informações fluíram de uma forma descritiva e, também, por ser uma máquina, bem construtiva dentro do contexto formatado nas sinopses e biografia do autor. Pode-se até dizer que a ferramenta foi bem “elegante”.
Para esclarecer, sou um escritor independente, simples, trabalhando para me inserir no mercado. E os divulgo na internet. Como também o fazia no X, hospedagem da IA Grok, criação do Senhor Elon Musk, que me trouxe detalhes informativos bem diferente e bastante curioso. Ao contrário do Capilot, o seu colega foi bem “deselegante”. Isso porque a ferramenta também coletou dados sobre as minhas interações nas publicações da plataforma, onde você acaba se expondo com opiniões e críticas pessoais além da exposição dos trabalhos, no caso, os meus livros. E utilizando um modo grosseiro, pode-se dizer que se jogou tudo dentro de um saco escuro, sacudiu, e se traçou o perfil.
No entanto, o Grok não errou muito, mas usou um tom depreciativo. Fazendo uma alusão e até uma certa exclusão da minha pessoa e do meu trabalho do meio literário por eu ser um escritor independente, um desconhecido com poucos seguidores; referindo-se aos títulos das obras enumeradas como repetitivas, folhetim de banca de jornal e novela. Que não fazia parte da alta literatura. E ainda usou o termo “para quem gosta”. Que eu era um autor de palavras cruas, e o sou. E que também não tinha filtro, referindo-se aos meus comentários, isso nem tanto. Acrescentou ainda que por fazer críticas no mesmo tom tanto para as postagens de cunho político da esquerda quanto para as postagens da direita, “eu não incomodava ninguém”, ou melhor, para um bom entendimento podemos traduzir: “um fede e nem cheira”.
O impressionante foi quando me revelei e escrevi que quem estava pedindo as informações era o escritor Ricardo Ohara. Foi surreal. Imaginei-me de cara com uma pessoa quando é flagrada falando mal de você. Pela resposta, visualizei o Grok ficando com a cara vermelha de vergonha. A sua resposta foi um vexame, pois se ele antes detalhou um perfil, considerando uma máquina, deveria permanecer na sua posição. Mas não, desculpou-se e se mostrou prazeroso em estar interagindo comigo. Que ele não quis dizer o que disse, apenas pegou as informações na plataforma do X. E quando eu também me referi as suas respostas como repetitivas, o IA do Senhor Elon Musk acabou falando que a repetição fazia parte de toda a literatura, que era natural; e que se referiu aos romances como novela e folhetim de banca de jornal por não ser nada de cunho científico, um estudo, uma teoria, uma coisa mais clássica formadora de opinião. E mais, que eu continuasse assim, escrevendo os meus romances da maneira intuitiva como revelava, ouvindo sempre os meus personagens.
Foi gritante. Impressionante. Algo bem além do que imaginamos. Deixando os questionamentos mais questionáveis. Seria o Grok a imagem e semelhança do seu criador? Pois não consigo deixar de associá-lo a imagem do bilionário Elon Musk, um indivíduo que ao mesmo tempo que usa a sua riqueza para tentar transformar o mundo, compartilhando inovações e tecnologia, pelo outro lado acaba disponibilizando as suas próprias ferramentas tecnológicas para proporcionar depreciações e ataques ao que ele julga não ser tão imprescindível e agregador ao seu arcabouço literário e nem ao seu estilo de vida. Transformando o seu bichinho de estimação, o imaturo Grok, em um bobo da corte, que extrai informações picotadas do seu reino virtual “X” e as manipula com o seu estilo irônico e debochado personalizado. Depois, bombardeia o seu alvo com indiretas desconstrutivas, só que sem nenhum viés cômico, algo semelhante as piadas ultrapassadas em que só o rei e os seus súditos acham graça.

Em 16.01.2026

Obs.: quando me refiro à IA "falou ou disse", refiro-me à forma escrita.



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